DELIRIUM

História canhão 1 | 006920

   Esse canhão ornamentado com o brasão do rei Luís XIV,
o "rei Sol" da França, foi utilizado pelo corsário francês Duguay-Trouin durante a invasão francesa no Rio de Janeiro em 1711. Enviado pelo rei, o corsário fornecido com uma frota de 17 navios, 738 canhões e 6139 homens tinha a intenção de sair da falência, resgatar prisioneiros franceses na cidade e tomar algum território para a França que estava perdendo a guerra. Guerra que se iniciou em solo europeu e se estendeu também para as Américas por disputas de territórios ultramarinos e em continente.
A Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714)  acontece no fim
da linhagem de herdeiros da coroa da Espanha, e assim,
sobe ao trono Duque de Anjou, neto de Luís XIV, dando início
a dinastia Bourbon na França.

   Considerando isso, a França teria não só controle sobre seu próprio território, mas sobre a Espanha e suas colônias o que amedrontou as demais potências europeias diante dessa grande soberania concentrada. Diante dessa circunstância de disputas territoriais pela hegemonia europeia a França envia o corsário Duguay-Trouin ao Rio de Janeiro para conquistar alguma colônia. Após alguns conflitos na costa, o corsário ameaçou destruir os fortes do Rio de Janeiro se um resgate em ouro não fosse pago.
O governador da cidade em exercício Francisco de Moraes
de Castro concordou em fazê-lo diante da evidente derrota.
Duguay-Trouin saiu da cidade com o equivalente a 4 milhões
de libras, incluindo um carregamento de escravos negros
que posteriormente iria vender em Caiena, atual capital
da Guiana Francesa.

 

Nesse período, a exploração de ouro no Brasil fez com que
o volume do tráfico negreiro fosse o maior dentre as colônias europeias. Entre 1701 e 1720, desembarcaram nos portos brasileiros cerca de 292 mil africanos escravizados.
Se nesse período os negros escravizados trazidos da costa africana eram privados de qualquer dignidade, agora, em 2020, devido a circunstância da pandemia os níveis de desigualdade
e vulnerabilidade associados ao segmento da população identificada como negra ou parda se revelam com mais força.

 

Em boletim do dia 18 de junho de 2020  divulgado pelo
Ministério da Saúde 54,8% dos óbitos registrados por Covid-19
são de pessoas negras ou pardas. Logo, fica claro que o alicerce desigual sobre o qual foi construída nossa sociedade a torna hoje, não democrática e tendenciosa quanto à políticas públicas
de saúde dentre outros assistencialismos que constituem
o direito do cidadão.

cheiro Delirium PBX00014JK

   O delírio na teoria freudiana pode ser um caminho
para a realização de um desejo ou  despertar do sentido.
Mas, na elaboração do cheiro não poderíamos deixar
de incluir no delírio a sede de poder econômico trazido
à história brasileira pelos primeiros colonizadores em busca
das riquezas desta terra.

   Creosol. Cheiro fenólico, seco e dominado pelo cravo
que aguça o sabor e o olfato. Alucinação da flor Ylang. Embriagante. Álcool. No Cistus Labdanum Spain encontramos o doce do mel e o amargo do própolis
como agente impulsionador. Pode queimar.

 

  Jasmim, fragrância que nos leva mergulhar na escuridade
do delírio e nas profundezas do Isobutyl salicylate fomos acatar o cheiro forte masculino do couro presente
nos colonizadores.

Essa é a história do canhão e o motivo pelo qual
é relacionado com cheiro Delirium.
As perguntas a seguir são pontes entre você e a História,
você e suas memórias, passado e presente. Afeto.
Contribua na construção do
imaginário coletivo do cheiro.


Existe um cheiro que te provoca delírios?
Tente descrevê-lo.
Se a loucura tivesse cheiro, quais seriam
suas caraterísticas?
Imagine que você é um colonizador chegando
às Américas. Com quais cheiros você se encontraria?

 

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