MORTE

                           História canhão 46 | 016234

  Esse canhão foi encontrado enterrado próximo ao Portão da Minerva onde é hoje o pátio de entrada do Museu Histórico.
Local também, onde foi morto Marechal Carlos Bittencourt à facadas por um soldado que dois meses depois de ser preso
foi encontrado enforcado com um lençol na sua cela. O então ministro da guerra, havia acabado de chegar ao Rio de Janeiro da Campanha de Canudos onde foi responsável pela morte
de centenas de prisioneiros de guerra, entre homens, mulheres
e crianças.

 

   A Guerra de Canudos (1895-1897) foi um conflito armado
entre o Exército Brasileiro e membros da comunidade liderada por Antonio Conselheiro, em Canudos no interior da Bahia.
Em 1890, a região vivia uma crise em razão do solo árido sertanejo e do enorme desemprego devido ao recente fim da escravidão. Antonio Conselheiro se torna uma figura central
que protagoniza a formação de uma legião de seguidores como uma espécie de líder sócio-religioso. Por volta de 1895, cerca
de 20mil pessoas se assentaram em uma fazenda abandonada criando um tipo de comuna e passaram a subsistir.

 

  Os grandes fazendeiros da região, incomodados, uniram-se à Igreja Católica, iniciando um grupo de pressão junto à recente República, criando rumores que justificassem um ataque ao grupo. Grupo esse composto de índios Karimbé e Kariri,
mas a grande maioria de negros, muitos deles ex-escravos
que há muito peregrinavam pelos sertões em busca de trabalho
e melhores condições de vida. Três expedições militares foram derrotadas pela comunidade para que ao fim, todo o arraial fosse destruído, as casas incendiadas e os sobreviventes degolados. Estima-se que foram mortos quase os 20mil sertanejos e 5 mil militares. Durante a guerra, os principais jornais do Brasil mandaram correspondentes à Canudos, um deles foi Euclides
da Cunha  que em 1902 lança a obra histórica Os Sertões, que narra a tragédia, e em nota preliminar contesta as ações do exército sob o comando de Bittencourt:

  "A campanha de Canudos lembra um refluxo para o passado.  
E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo."

  A resistência ocorrida em Canudos acontece pela união daqueles que foram e continuam marginalizados. O povo da diáspora africana, trazido e mercantilizado, mesmo depois da abolição da escravatura continua tendo que lutar para sobreviver com dignidade e contra o preconceito endêmico que vive ao longo da História. O abuso policial na abordagem com pessoas negras é a evidência do presente que comprova a intolerância enraizada na sociedade.

  Em 2020 nos Estados Unidos um homem negro - George Floyd, foi morto asfixiado por um policial depois de ser acusado de ter tentado usar uma nota falsa numa loja de conveniência.
O policial Derek Chauvin aplicou uma chave de pescoço que contribuiu para a morte de Floyd. Esse caso que está mobilizando cidadãos não só do Minnesota, estado norte-americano local do ocorrido, mas também ao redor do mundo.
O caso está em pauta porque uma cidadã estava passando no momento e registrou o assassinato com seu celular.

 

  No Brasil em 2019, 75% dos homicídios registrados foram de pessoas negras. Isso nos faz pensar o quanto dessas mortes acontece devido ao abuso policial, de que não tomamos conhecimento. O racismo inveterado é propagado cada vez
mais pela crescente atuação de governos autoritários que não pautam a igualdade e muitas vezes estimulam a violência à
seus agentes da lei.

cheiro Morte

  Começamos por perguntar qual é o cheiro da morte?
A resposta da ciência é uma surpresa pois mantêm que
os corpos logo depois de morrer emitem um odor fresco,
ou seja do hexanol, parecido com a grama recém-cortada. Com o passar dos dias com a decomposição, outros odores inesperados podem aparecer como esmalte de unha.

  Esta pesquisa desenvolvida pela Universidade de Huddersfield, na Inglaterra levanta a possibilidade teórica de cada corpo, depois da morte, desenvolver um cheiro característico relativo à combinação única de substâncias químicas liberadas – uma espécie de impressão digital,
mas relativa ao odor.

 

  O processo de desenvolvimento do cheiro iniciou-se por trazer o cheiro de um corpo em início de decomposição. Não podendo ter acesso a Cadaverina e Putrecina, buscamos um cheiro animálico e carnal no Castoreum, uma nota da perfumaria dos musks, ambares e cheiros animálicos com características fortes e pungentes lembrando o couro, hoje recriado sinteticamente por razões éticas. O acorde traz também um lado úmido, cinzento e frio da morte assim com uma floralidade narcótica e opulenta obtida pelo uso de flores brancas.

Essa é a história do canhão e o motivo pelo qual
é relacionado com cheiro Morte.
As perguntas a seguir são pontes entre você e a História,
você e suas memórias, passado e presente. 
Contribua na construção do
imaginário coletivo do cheiro.

 
Existem preconceitos contra morte e seu cheiro?
Qual a sensação do cheiro da morte?
Você se lembra de algum momento onde você
se deparou com esse cheiro? Como foi?
Já que nosso vocabulário olfativo é reduzido você
poderia criar palavras para descrever o cheiro da morte?
Um respirador usado na Covid-19 é capaz de
mudar o cheiro da morte na sua imaginação?

Responda aqui

Curiosidade: Era comum enterrar os canhões no solo das fortificações a fim de resguardá-los, ou seja, escondê-los para alguma situação de urgência. Esse foi encontrado em demolições feitas no Museu em 1922 para o centenário de independência do Brasil.