INVASÃO

História canhão 33 | 015888

  Esse canhão foi trazido da França para sua colônia Caiena, onde foi capturado por tropas portuguesas e inglesas na tomada da região em 1809. No ano anterior, 1808, a família real e sua corte tiveram que compulsoriamente deixar Portugal
e se refugiar no Brasil devido à invasão do imperador francês Napoleão Bonaparte. Procurando uma maneira de revidar
a ocupação militar inimiga na Europa, tropas portuguesas e
a aliada marinha britânica invadiram Caiena, a colônia francesa mais próxima ao Brasil. Esse episódio A Tomada de Caiena marcou a aliança anglo- portuguesa que prevaleceu durante muito tempo durante a estadia de D. João VI no Brasil.


  Hoje, Caiena é capital da Guiana Francesa que se localiza na fronteira com Amapá, estado ao norte do Brasil. Contudo, nunca foi considerado um país e sim um território ultramarino francês. Em maio de 2020, segundo a revista Época, o governo da Guiana Francesa aumentou a fiscalização e ampliou a presença das Forças Armadas para impedir a circulação de pessoas
na fronteira entre os municípios de Saint-Georges de l’Oyapok na Guiana e Oiapoque no Amapá.  Essas medidas rigorosas foram tomadas devido às altas taxas de infecção do Covid-19 no Amapá que em Abril, foi o epicentro da pandemia no país.
O Amapá é um dos estados no Brasil que abriga a Floresta Amazônica. Dentro dele e em seus arredores vivem centenas
de comunidades indígenas que sofrem o descaso do governo, hoje, principalmente, diante das contaminações do Covid-19.

 

“A indignidade com que os indígenas são tratados na pandemia
de Covid-19 abriu um novo e pavoroso capítulo de violação dos direitos dos povos originários pelo Estado brasileiro
.

 

  Diz o jornal El País em matéria de 24 de Junho de 2020. Segundo relata a matéria três mulheres do grupo Sanöma,
etnia Yanomami que vivem em Roraima, estado bem próximo
ao Amapá, foram levadas à capital, Boa Vista com suspeita
de pneumonia. As três estavam com seus bebês e os
levaram junto. Os bebês contraíram o Covid19 no hospital
e não sobreviveram
.

 

“E então seus pequenos corpos desapareceram, possivelmente enterrados no cemitério da cidade. Duas das mães estão com Covid-19, amontoadas na Casa de Saúde Indígena (CASAI), abarrotada de doentes. Lá, corroídas pelo vírus, elas imploram
pelos seus bebês.”

 

  A invasão de territórios, corpos e vidas indígenas continuam
no Brasil desde o início da colonização.

Cheiro da Invasão 

  O cheiro da Invasão procura trazer em sua composição
a violência, o medo, a ganância e ao mesmo tempo à coragem dos invasores
. O medo e a ansiedade daqueles afetados pelas invasões são representados pelas notas animálicas, fenílicas, fétidas, encontradas no Osmanthus enquanto que a violência é evocada no antisséptico dos ferimentos e no metálico do sangue que os extratos de Castoreum, Oud e Musk trazem na composição.

 

  O cheiro é quente, queimado, e apresenta notas de cinzas, memória dos canhões. A pólvora que tem como componentes o enxofre, carbono e salitre é conhecida desde o século IX como pólvora negra ou cheiro do inferno.  O aldehyde cuminic, uma das principais moléculas do cominho, instigam o pungente, especiado
e oleoso da Invasão.

Essa página conta a história do canhão e suas 
relações com Cheiro da Invasão do canhão #33.

As perguntas a seguir são pontes entre você e a História,
você e suas memórias, passado e presente.

Sua contribuição é muito importante na
construção coletiva desse vocabulário olfativo.

 

Você já se sentiu invadida(o) por um cheiro? 

Como foi essa experiência?


 

Cheiros são invasivos. 

Pode identificar e conectar esta invasão
olfativa com um local ou espaço?


Responda aqui