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INCENSO

Dados históricos: canhão 44 nº SIGA 015492

  Esse obuseiro de 12 toneladas foi capturado por tropas brasileiras no maior conflito armado da América do Sul: a Guerra do Paraguai. As batalhas duraram seis anos (1865-1870) deixando cerca 300.000 mortos. Essa curiosa artilharia foi fundida no Paraguai e na sua composição foi utilizado bronze dos sinos das igrejas da capital do país. Por essa razão foi nomeado de El Cristiano, O Cristão em português.

 

  Ele é emblemático no Paraguai por ter sido levado para batalha de Curupati (1866), a maior vitória do país contra a Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai. Segundo relatos paraguaios, o Cristão foi fundamental em conter o avanço das tropas inimigas. Entretanto, existem versões brasileiras de que o canhão nunca deu baixas por possuir um funcionamento interno peculiar impedindo seu êxito. Outro detalhe interessante desta peça são as inscrições "Da religião ao Estado"; ratificando sua composição de sinos derretidos em prol da defesa do país.

 

  A conduta política de um país e a religião se aproximam e se distanciam ao longo da História. O Brasil hoje, por exemplo, é constitucionalmente um país laico, ou seja, se coloca oficialmente imparcial quanto a questões religiosas. Contrariando esse princípio da Constituição Federal de 1988, a atual Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos declarou em entrevista em fevereiro de 2020: "É o momento de a igreja ocupar a nação". Essa fala nos faz refletir sobre nossos representantes que, em diversos casos, privilegiam políticas vinculadas à doutrina religiosa de sua preferência em benefício do princípio democrático da nação.

Fragrância: Incenso PBX00014NK
 

  El Cristiano remete às origens católicas do canhão fundido com o bronze de vários sinos das igrejas paraguaias. Veio a minha memória os sinos, cantos e incenso nas bênçãos da sexta-feira. O incenso estonteante que invadia meu corpo.

 

  Mirra e olibanum são os componentes usados no incenso das igrejas cristãs. Porém na criação desse incenso, adicionamos acordes balsâmicos, notas mais verdes,

como o poponax e o palo santo de origem peruana, em busca das matas que contêm estas resinas.

 

  A mirra, um componente mais robusto, predomina já que os outros pela sua volatilidade se dissipam mais facilmente e as notas leves, frescas e aromáticas deixam de apresentar o conhecido queimado dos incensos de igrejas porque suas moléculas estão in natura.