VI Encontro de Arte Moderna de Curitiba
(1974)

" Ocorridos anualmente em Curitiba entre 1969 e 1974 e praticamente desconhecidos pela historiografia da arte no Brasil, os episódicos Encontros de Arte Moderna foram uma importante expressão estética e cultural da arte brasileira no contexto dos chamados “anos de chumbo” da ditadura militar. Canalizando pequenos gestos de rebeldia festiva em pleno auge da repressão, os Encontros, através de palestras, lançamentos de livros, cursos práticos e manifestações artísticas radicais, acabaram mobilizando uma parcela considerável de artistas e intelectuais do Brasil. Centrados na discussão estético-ideológica sobre os limites das linguagens de vanguarda, os eventos tenderam a potencializar a associação entre arte experimental, liberdade comportamental e contracultura, num contexto em que estiveram presentes em Curitiba artistas como Artur Barrio, Ana Bella Geiger, Pietrina Checcacci, Frederico Nasser, José Rezende, Pedro Escosteguy e Josely Carvalho, além de críticos como Frederico Morais, Roberto Pontual, Mário Barata e Walmir Ayala. [...]
A terceira ação, “Gincana Ambiental”, de 1974, foi toda idealizada pela artista Josely de Carvalho, e consistiu na reedição de uma “espécie de laboratório estético experimental coletivo” que já fora realizado na Cidade do México, pouco tempo antes. Nos Encontros, a “Gincana” correspondeu a uma série variada de acontecimentos, todos envolvendo a participação dos transeuntes em espaços públicos. Durante a chamada Peça Pão, que foi parte integrante da “Gincana Ambiental”, diversos grupos espalhados ao redor do MAC-PR esculpiram pães e depois convidaram o público para moldarem e comerem o resultado, numa ação efêmera recheada de significados estéticos e existenciais."

O dilema da vanguarda: arte comportamental nos Encontros de Arte Moderna
por Artur Correia de Freitas

Esta obra é citada nos seguintes textos: