AUSÊNCIA

História canhão 31  | 015890

  Essa colubrina foi uma encomenda portuguesa a um arsenal de Gênova, Itália.  Ao observarmos seus detalhes podemos entender que não havia uma preocupação com o seu custo de produção. Além de ser ricamente trabalhada nas partes normalmente decoradas dos canhões, essa colubrina possui uma cascavel esculpida em forma de uma cabeça de guerreiro mais primorosa que outros canhões. 

  Armou o Forte São Francisco de Tabatinga na Amazônia
(assim como o canhão 28, cheiro Anoxia), localidade estratégica por fazer fronteira com mais dois países - Peru e Colômbia, no baixo Solimões. O canhão já tinha cerca de 50 anos de idade na data que o forte foi construído mas não sabemos quando o canhão foi enviado para a região. Esse forte foi construído em 1776 e é muito provável que tenha sido construído por indígenas escravizados em razão de sua localidade onde viviam muitas comunidades da floresta.

 

  Hoje, os povos indígenas isolados ainda se encontram em vulnerabilidade e criminalizados pelo poder público. Em 2020,
o Brasil foi denunciado na ONU por risco de genocídio indígena
. Dentre os argumentos da denúncia, consta que o maior índice
de desmatamento no ano de 2019 se deu nessas áreas de demarcação dos povos isolados, aumentando 113%. No mesmo ano, foi assassinado Paulo Paulino Guajajara em uma emboscada na Floresta Araribóia, Maranhão. Paulino era líder indígena e guardião da floresta.

  Na crise de saúde pública que vivemos hoje, manifestada pelo novo coronavírus, um dos grupos sociais do Brasil que mais foi atingido é o indígena. Mortes de indígenas idosos, que normalmente ocupam posições de lideranças, de sábios ou curandeiros, colocam em risco línguas, festas tradicionais e
outras manifestações que são preservadas pelos mais velhos
nas culturas orais
. Guajajaras, Karipunas e Xavantes já perderam anciãos e anciãs devido ao Covid-19 que se espalha nas comunidades por invasão ilegal dos seus territórios.

cheiro Ausência

  A ausência não é apenas o que se foi. Não é repetida ou reproduzida. Incomoda. Queríamos algo que espelhasse
esse desassossego, que picasse. Usamos notas especiadas como a pimenta rosa e o cravo em doses incômodas.

 

  Queriámos que a ausência se manifestasse com pungência e fosse vivida sem ser apenas uma passageira lembrança.
O vetiver foi acrescentado em sua fração suja, queimada, para que o cheiro da terra e das cinzas não fosse limpo e claro, mas duro como uma ausência. 
 .    
                    

 

Essa página conta a história do canhão e suas 
relações com cheiro Ausência.

As perguntas a seguir são pontes entre você e a História,
você e suas memórias, passado e presente.

Sua contribuição é muito importante na
construção coletiva desse vocabulário olfativo.

É possível reconhecer um cheiro que não está presente?
E se está na sua memória?

Existe alguma coisa ou alguém ausente que
você consegue se lembrar do cheiro?

 


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