AFETO

História canhão 6 | 05913

   Mais antigo canhão do Museu datado do séc. XVI. Acredita-se que tenha sido usado em embarcações por ter esculpido nas alças cascavéis com aparência de peixe. As alças eram utilizadas para segurar o vergueiro - um cabo grosso que prendia os canhões ao navio. Pertenceu ao Arsenal de Guerra da Corte, espaço criado pela necessidade de proteção militar da colônia desde que a família real chegou ao Brasil.

 

  Em 1763, Gomes Freire então governador da Capitania do
Rio de Janeiro mandou construir a Casa do Trem, local para armazenamento, proteção e pequenos reparos em armação
e munição. O nome "trem" significava o conjunto de apetrechos necessários à atividade bélica, também chamados de "Trem de Guerra". Hoje, a Casa do Trem pertence ao conjunto de edificações do Museu Histórico Nacional e é usado para exposições especiais.

   Como podemos observar, armas como os canhões podem
contar a História das nações por serem símbolos de poder capazes de vencer e perder batalhas enquanto vidas podem ser perdidas. Segundo as Diretrizes de Uso de Força e Armas de Fogo pelos Agentes da Lei lançado em 2015 pela Anistia Internacional
o uso de armas de fogo é necessário aos oficiais da lei para cumprirem seu dever, mas não é indispensável. No mesmo ano
de 2015, o Brasil foi classificado como o país onde a polícia mais mata e mais morre. Nesse dado é relevante ressaltar que nesses homicídios cometidos pela polícia 79% são negros e 75% são jovens. 

  O aumento da letalidade policial em abril de 2020 durante a pandemia, em São Paulo chamou a atenção da diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, relata:  "O crescimento expressivo da letalidade em abril deste ano, mesmo em meio à quarentena, é preocupante e de difícil explicação. Os roubos e furtos caíram no período, e mesmo assim a Polícia Militar atingiu o recorde histórico, com o maior número
de mortos em intervenções policiais no quadrimestre desde 2001, quando a série passou a ser publicada. Isso indica possíveis desvios e abusos em relação ao uso da força letal, além de sérios problemas de comando". 

 

cheiro Afeto 

   Por ser o canhão mais antigo na coleção do Museu Histórico Nacional e sentindo que os historiadores mostraram um afeto pela beleza e pela preciosidade da coleção, imaginei uma fragrância agradável, com notas adocicadas de cumarina, maltol, âmbar. Cheiro que reproduzisse momentos familiares de infância onde açúcar queimado, leite condensado, e notas balsâmicas nos levasse a memórias afetuosas.

 

  Perguntei, será que os soldados no medo e  na espera
do inimigo, eles não fantasiavam com momentos de alegria  infantil?  Afeto, cheiro intenso e persistente de caramelos,
se aproximando com exuberância pelo nariz adentro. Provocação de um desejo e de um apetite. Um cheiro que incita a curiosidade. Intuitivo como o afeto. O que mais ele trará? Quais as lembranças de afeto que ainda guardamos?
O bolo da vovó, os docinhos das festas ou o possível fim
de uma vida? 

 

Essa é a história do canhão e o motivo pelo qual
é relacionado com cheiro Afeto.
As perguntas a seguir são pontes entre você e a História,
você e suas memórias, passado e presente. 
Contribua na construção do
imaginário coletivo do cheiro.


No momento do Afeto, quais cheiros você encontra?
De forma geral, quais são os cheiros que te afetam?
Você consegue descrevê-los?
Qual sua memória mais afetiva?

Responda aqui